Mês: Novembro 2007 (Page 1 of 6)

Contradições…

…Ou está tudo literalmente doido?

“Às vezes alguém chega a um ministério e começa a movimentar todo o mundo para trazer o partido quase todo para tornar-se proprietário desse ministério; isso não pode ser, não pode ser que algum partido pretenda que esse território seja seu. É preciso jogar tudo isso na lata do lixo. E como vamos fazer isso? Construindo o Grande Partido Socialista Bolivariano e Revolucionário, unido de verdade.”

Hugo Chávez in Diplomacia Estratégia Política, nr. 6, Abril/Junho 2007

Ah já percebi, a diferença é que já não haverão facções e se eliminarão outros partidos que potencialmente poderiam vir a tomar o Poder. Agora será só um grande partido que se apropriará e não mais sairá do poder, vão ser todos unidos de verdade. Qualquer semelhança com o 1984 de Orwell é pura coincidência.

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Governantes e governados na América Latina

“Há muito pouco tempo estive em Paris, reunida com os principais dirigentes políticos, tanto governistas quanto oposicionistas no Parlamento, no Poder Executivo, na oposição. E a pergunta recorrente era o que estava acontecendo na América Latina depois que em numerosos processos eleitorais surgem as figuras de Kirchner, Bachelet, Evo Morales, o Presidente Chávez, aqui no Equador o Presidente Correa. E eu respondia que pela primeira vez, na América Latina, os governantes se parecem com os governados.”

Cristina Kirchner in Diplomacia Estratégia Política, nr 6, Abril/Junho 2007.

Pergunta: mas o que é que isso significa? e isso é bom ou mau?

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A diplomacia tem destas coisas

Mugabe diz que estará presente na Cimeira UE/África, em reacção Gordon Brown confirma a sua ausência. Porém outro Brown, o Ministro para os Assuntos Africanos, deverá representar o Reino Unido (vide aqui).

A ler isto.

Pergunto-me o que será que Madrid e Londres pensarão de Portugal por estes dias com a “simpatia” demonstrada por Chávez e Mugabe…

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Sugestões de leitura

Kaplan diz como é” no Futuro Presente por Jaime Nogueira Pinto.

Are We All Lockeans now?” por Edward Fesser.

A entrevista de Zbigniew Brzezinski à Foreign Policy.

A entrevista de Fadel Gheith, analista energético de Wall Street, à Foreign Policy, da qual destaco:

“That’s exactly what I’m focusing on. I truly believe that major investment banks and a large number of very high-risk-taking financial players have seized control of the oil markets, especially in the last six months. During that time, oil prices moved in one direction and market fundamentals really moved sideways or even lowered. Demand has slowed down significantly. We have seen all kinds of indications that we are reaching a breaking point here. We’ve seen what happened to gasoline margins on the West Coast; they’ve dropped to an almost 18-year low. All this is an indication that something is wrong with the system, that supply and demand fundamentals do not justify the current price. But if the current price is based on speculation, there is no limit to how high oil prices can go. Basically, as long as there is somebody willing to bid higher, the price of the commodity will move higher.”

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Diz que é uma espécie de petição

Existe por uma petição pelo “Não ao Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”. Nem sequer é um não à Ratificação do mesmo.

A questão do Acordo Ortográfico, assinado há mais de década e meia, tem sido particularmente mal gerida, não só pelas Necessidades (basta lembrar que Portugal é depositário dos instrumentos de ratificação), mas também a nível interno, pelos governos portugueses, nao conseguindo aplacar as exigências dos agentes sociais e económicos envolvidos no processo. Aqui parece haver poucas dúvidas, e é uma questão que possivelmente irei desenvolver em breve.

A pressão internacional que tem vindo a ser exercida sobre Portugal para ratificar o II Protocolo Modificativo (sim, caros peticionários, há dois), principalmente por parte do Brasil, colocou definitivamente o AO na agenda do dia, com o surgimento de lóbis (olha uma palavra que foi alterada) pró e anti-AO.

Nada contra, até se costuma dizer que é um sinal de maturidade da sociedade civil.

Contudo, esta petição não passa de uma aberração. Se fosse apenas mais uma manifestação do que Castells apelida de autismo electrónico ficava-me por aqui. Mas o objectivo é apresentá-la ao MNE.

Ora atente-se na sintaxe e na retórica da mesma:

Exmo. Sr. Ministro Luís Amado, tivemos conhecimento que é suposto ser aprovado, até ao final do ano de 2007, o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, nesse acordo será, alegadamente, alterado 1,6% do nosso vocabulário. Os signatários desta petição não concordam com a aprovação desse Protocolo, não querem que a Língua Portuguesa, tal como os portugueses a conhecem, seja alterada, exigimos que seja preservada a nossa Língua. Não faz qualquer sentido que este protocolo seja aprovado. Nós não queremos escrever palavras como ‘Hoje’, ‘Húmido’, ‘Hilariante’ sem ‘h’, não queremos escrever palavras como ‘Acção’ sem ‘c’ mudo nem palavras como ‘Baptismo’ sem ‘p’ mudo. Queremos continuar a escrever em Português tal como o conhecemos agora. E, tendo em conta o supra exposto, esperamos que o Exmo. Sr. Ministro faça com que este Protocolo não seja aprovado.

E ainda em alguns comentários dos signatários, encontram-se pérolas como:

Mas somos portugueses e temos orgulho na nossa cultura ou somos bestas preguiçosas?

ridiculo (e o acento, caro purista da língua portuguesa?)

Li, e concordo… E muito menos em vez de escrever História, passar a escrever Estória… (tem graça, pensava que até era uma palavra que já existia…)

Ou a minha favorita: “nós somos a língua mãe, não eles!”

Haja paciência…

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Boa noite e até amanhã

Por entre cenários de novela brasileira passei este fim-de-semana, longe de computadores, internet e televisão, visitando uma pitoresca cidade cuja fundação remonta ao Brasil colonial, recuperando energias para enfrentar o que falta da minha estadia aqui por Brasília, principalmente testes e trabalhos, enquanto pouco vai faltando para regressar a esse país que se encontra no centro do Mundo, pelo menos na visão Ocidental.

Engraçado como mesmo ao fim de tanto tempo, em Pirenópolis ainda se realizam festas e recriações das lutas entre Mouros e Cristãos, uma tradição cujo legado me parece implicitamente português.

De regresso a esta cidade expoente mundial do modernismo arquitectónico, fico a saber que Pulido Valente desancou Sousa Tavares, que a Ordem dos Advogados se insurge contra o vínculo dos magistrados à função pública, considerando que se trata de uma “descaracterização perigosa das funções judiciárias e judiciais”, enquanto “O Caso do Advogado Contratado Duas Vezes” bem poderia ser o nome de um novo romance policial à la Agata Christie, que até poderia ter Pinto Monteiro interpretado pela personagem de Hercule Poirot.

Entretanto Menezes lá vai tentando fazer alguma oposição, declarando que o Governo não tem mão nos directores-gerais, em resposta ao Inspector-Geral da Administração Interna que “considerou também que há “muita ‘cowboyada’ de filme americano na mentalidade de alguns polícias”, “muito gosto na exibição da pistola”, e que os “problemas mais graves” verificam-se na área de intervenção da GNR, “com perseguições policiais iniciadas por motivos inadequados”.

Via Politicopata, e pelo Correio da Manhã fico a saber que Cavaco Silva se interroga sobre “Por que é que nascem tão poucas crianças? O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?” e declara que “Eu não acredito que tenha desaparecido nos portugueses o entusiasmo por trazer novas vidas ao Mundo”.

Portanto falta pouco menos de um mês para regressar ao faroeste português, com supostas escutas ilegais, disputas ridículas entre alguns considerados intelectuais, classes que não querem perder os privilégios em relação aos demais (e eu que julgava que a luta de classes marxista era coisa do século passado), polícias que vêem demasiados filmes de John Wayne e Steven Seagal, e um Presidente da República que não acredita que os portugueses tenham perdido o gosto pelo sexo, perdoem-me, parece que agora sexo está para a esquerda como fazer amor está para a direita, portanto rectifico: o Presidente da República que não acredita que os portugueses tenham perdido o gosto por fazer amor.

Porém interessante é o protesto dos alunos do Instituto Politécnico de Viseu, contra as alegadas ilegalidades cometidas pela direcção do IPV, a dar o exemplo a alguns que andam cá por baixo, nessa minha querida cidade que é Lisboa, onde hoje um professor foi chamado à inspecção por não se calar contra as supostas ilegalidades que alguém vai cometendo.

Enquanto a blogosfera se vai degladiando sobre qual o sentido da comemoração do dia 25 de Novembro, lá fora o Diplomata vai constatando que o discurso da Guerra Fria está timidamente a regressar, enquanto Musharraf se torna Presidente Civil mostrando como se aplica ao mais alto nível os ensinamentos de Nicolau Maquiavel, para poder contentar o amigo Bush, trazendo paulatinamente o Paquistão para essa tão apregoada Democracia.

E é assim que o vento passa e não deixa o tempo voltar atrás para nos dar toda a sanidade que vamos perdendo…

Boa noite e até amanhã.

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Kadhafi em Oeiras e Mugabe com medo

Pelo DN fico a saber que Kadhafi ficará no Forte de São Julião da Barra e que Mugabe já requisitou uma viatura blindada para o transportar durante a cimeira.

Mas vão montar a tendo de Kadhafi no forte???

Com tanto motivo de preocupação parece que se espera realmente um atentado terrorista. Não se preocupem, enquanto tivermos praia, sol, campos de golfe e formos o recreio de Verão da Europa não há terrorista que decida explodir com alguma coisa em Portugal. Somos um país pacífico com um povo pacífico e acolhedor. Tão acolhedor que basta ver os exilados que por passaram e vão passando.

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