Mês: Outubro 2007 (Page 1 of 3)

Subvenções vitalícias para políticos profissionais

Marques Mendes decidiu pedir uma subvenção vitalícia pelos serviços prestados ao Estado.

Não vou fazer as habituais critícas associadas às esquerdalhadas de que o povo é que paga o que uns poucos ganham, que “Isto é uma bergonha!”, que é só “tachos” e por aí adiante.

O que me chama a atenção nesta notícia é o facto óbvio que ser político profissional acaba por vezes por não ser uma das melhores escolhas de carreira. É uma profissão altamente remunerada e obivamente que as pensões também têm que ser elevadas. O problema é que quando acontecem certos desaires, se não se tiver um outro qualquer tipo de ocupação remunerada, seja no sector privado ou público (académico por exemplo), do que é que se espera que uma pessoa viva se não sabe fazer mais nada?

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Você é um fanfarrão!

Porque todo o mundo (pelo menos no Brasil) fala nisso, não podia deixar passar em branco o privilégio de que usufruí na passada sexta-feira ao assistir ao filme Tropa de Elite, diga-se de passagem, em muito boa companhia.

Devo dizer que prefiro a Cidade de Deus, bem mais conseguido (e também muito mais violento).

Enquanto os chavões do Capitão Nascimento (aquele sujeito com cara de poucos amigos que vêm na foto em cima) vão sendo ouvidos aqui e ali, não posso imiscuir-me dessa mesma moda, especialmente ao pensar em certas pessoas, (como Francisco Louçã, ver post abaixo), tendo já perdido a conta a quantas vezes por dia exclamo: “Você é um fanfarrão!”

Já estou a ver a moda a pegar em certos debates à portuguesa, a lembrar uns sketches do Gato Fedorento…
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Periferias ao centrão em convulsões

Enquanto Louçã se perde em acusações de carácter demagogo com laivos que vão demonstrando a desorientação vivida por uma organização que só desde há algum tempo a esta parte se tornou realmente um partido na actual conjuntura, perdendo portanto grande parte do seu fulgor ideológico, assisto com curiosidade à formação do Movimento Mérito e Sociedade.

Eduardo Correia, professor de marketing do ISCTE, parece-me colocar-se naquilo a que se pode chamar a ideologia da governance. O rejeitar dos rótulos esquerda e direita em prol de um bem e interesse comum embora seja de assinalar, sendo uma tentativa de se colocar acima de ideologias e rótulos padronizados, carece de uma análise politológica à luz das definições de partidos de Duverger e Kircheimer.

É que para todos os efeitos, em termos práticos, PS e PSD também não se enquadram nessas mesmas noções, daí que a conotação de centristas em centro-esquerda ou centro-direita, que passa tão despercebida, seja por demais importante. No essencial, em pouco ou nada divergem. No acessório, é simples demagogia para entreter multidões. O centro é a governance. E a governance faz-se pelo marketing político. E o centro é demasiado forte para permitir a ascensão de periferias (a lembrar um pouco a teoria dependentista).

Resta aguardar para verificar se têm razão alguns politólogos que vão dizendo que não há espaço no espectro político português para mais partidos.
E por falar em movimentos, o que é feito do movimento de Manuel Alegre? Aos mais curiosos, cliquem no link Movimento Já que se encontra no site de Manuel Alegre. Será que o Movimento Já se tornou uma dating service agency?

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Barão de Rio Branco

Recuperando um pouco a índole inicial deste blog, decidi “homenagear” um dos maiores estadistas de todos os tempos, neste caso, especialmente afoito ao Brasil.

José Maria da Silva Paranhos Júnior, Barão de Rio Branco, foi um daqueles raros homens de uma nobreza de espírito e intelectual invejável, político e diplomata exemplar que através do pragmatismo político soube servir da melhor forma possível o seu país numa conjuntura doméstica e internacional pouco amistosa.

Em 1892 com o advento da revolução que derrubou a única monarquia da América Latina, os republicanos imbuídos de um visão romântica e idealista, que acabaria por ser prejudicial ao Brasil – onde é que eu já ouvi isto? – tomaram as rédeas da diplomacia brasileira, transferindo o eixo fundamental dessa de Londres para Washington.

Acreditavam numa aproximação às repúblicas americanas, através da retórica pan-americana, dessa forma iniciando-se o movimento que viria a ser considerado um dos paradigmas da Política Exterior Brasileira, a Aliança Especial com os Estados Unidos.

Esta visão romântica que se aproximava aos ideais Bolivariano e Monroista, após diversos falhanços, entre os quais, concessões exageradas à Argentina em matéria de definição de limites territoriais, acabaria por ser substituída por uma visão mais próxima da realidade, ironicamente, fruto do trabalho de um homem ligado ao Império.

De 1902 a 1912, o Barão reorientou a diplomacia brasileira sob a índole do realismo e pragmatismo, constituindo o eixo das relações especiais com os Estados Unidos (durante a sua estada à frente do Itamaraty essas pautaram-se pelo alinhamento pragmático, ou seja, com recompensas, por oposição ao alinhamento automático, sem qualquer tipo de recompensa), restaurando o prestígio da diplomacia espelhada na época do Império, concluindo todas as negociações sobre limites territoriais à epóca, salvaguardando a soberania do Estado Brasileiro e esboçando ainda a primeira tentativa de integração em bloco na América Latina, embora não concretizada, o Pacto ABC (Argentina, Brasil, Chile).

Enquanto assistia à turbulência que perpassava o país sob o governo de Hermes da Fonseca, também a sua saúde se tornava cada vez mais débil, pelo que acabaria por se demitir em Janeiro de 1912, falecendo um mês depois, diz-se, pelo desgosto de ver o seu país em tal estado.

Para o Barão, filho do Visconde de Rio Branco, a sua descendência portuguesa e nobiliárquica eram motivo de orgulho, porém o seu sentido de Estado predominou sobre qualquer tipo de idealismo, ideologia ou artifício social. É notável e admirável como um monárquico convicto serviu o Estado Brasileiro republicano de forma exemplar.

Homem dotado de uma inteligência invulgar, deixaria para o futuro o que ficaria conhecido como o “Legado de Rio Branco”, que ainda hoje enforma a base da escola diplomática brasileira, que em sua honra instituiu o Instituto Rio Branco. Era de tal forma importante para os brasileiros, que sempre o viram como o indivíduo mais capaz para conduzir a chancelaria, que a notícia da sua morte abalou toda a sociedade, pelo que nesse ano se adiou a comemoração do Carnaval.

Rio Branco provou que acima de ideologias ou maniqueísmos está um sentido de Estado que todos os verdadeiros estadistas deviam possuir. Infelizmente isso vai sendo cada vez mais raro…

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Blogosfera incomoda Prodi

Parece que o governo italiano não vai muito de modas com esta coisa da blogosfera. Leiam aqui.

Enquanto o Hoje há conquilhas diz sentir-se incomodado por ser a esquerda democrática no poder a sentir-se incomodada pela blogosfera, já eu delicio-me com este tipo de manifestações, pela sua contribuição para um certo desmistificar dos fantasmas de direita.

Afinal, o autoritarismo, ditadura, censura e outros conceitos que tais, sempre associados a uma direita “malévola”, são tanto dessa direita como da esquerda. Mais do que isso, independentemente de ideologias, são conceitos e tendências que se podem revelar em qualquer ser humano.

Incomoda-me sim aquela esquerda que faz passar a mensagem de que Salazar ou Franco foram uns “papões”, mas já Mao, Estaline ou Che Guevara foram uns heróis.

Embora seja tarefa árdua, a História deve ser ensinada e interpretada sem vieses ideológicos, nem de esquerda nem de direita.

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LFM e PSL animam a arena

Parece que a arena política se vai animando com as intervenções de Pedro Santana Lopes e Luís Filipe Menezes, ou pelo menos assim indica a última sondagem do barómetro DN/TSF.

O há muito anunciado segundo mandato do governo socialista vai agora parecendo uma realidade mais distante do que há um ano atrás.

E agora que segundo o ministro Campos e Cunha “Com Santana Lopes, Sócrates vai ter um interlocutor no Parlamento do seu nível político e intelectual”, resta aguardar para ver se o PSD vai voltar a ser um partido de oposição crítica e fundamentada, e não o decadente demagogo desfasado da realidade que vinha sendo com Marques Mendes.

Aguardam-se futuras degladiações…

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A decadência do ensino

Tendo lido isto e isto fico com a impressão de que o ensino português vai cambaleando pelos corredores da decadência anunciada.

Segundo o JN “Paulo Portas considera que uma medida que não distingue entre um aluno impedido de ir às aulas (por doença por exemplo), e outro que se ‘balda’ “é um erro histórico” que “faz lembrar as passagens administrativas de 1975” e que promoverá só “a mediocridade” do sistema.”

Não poderia estar mais de acordo.

No ensino superior, pelo menos na maioria das faculdades, ainda se vai partindo do princípio que um estudante maior de idade já tem capacidade para decidir se quer ir às aulas ou não. Mas deixando de haver sanções por absentismo até ao ensino secundário, como se pode deixar nas mãos de uma criança/adolescente essa decisão? Como é que essa pode ser responsabilizada? E nos casos em que os próprios pais já se desresponsabilizam da educação dos filhos?

Não admira portanto que as escolas e colégios privados obtenham consistentemente melhores classificações do que as públicas.

E ainda que segundo o JN “O estatuto também prevê “medidas correctivas”. Caso da realização de tarefas, prolongamento da permanência do aluno na escola, mudança de turma ou interdição no acesso a determinados espaços, como os pátios”, quero ver como vão implementar isto. Não tendo sido assim há tanto tempo a minha passagem pelo ensino básico, recordo-me de que esse tipo de medidas também vigoravam na altura. Mas com colegas que ameaçavam e batiam em professores e auxiliares, para além das constantes cenas de deliquência e conflitos com outros colegas, e que passavam o tempo a faltar às aulas, como é que se pode esperar que a instituição escolar assegure essas medidas correctivas?

É uma desilusão assistir a este crescente nivelar por baixo que vai perpassando todos os sectores do ensino português, desde o básico ao superior, que já vem desde o 25 de Abril, em que não se premeia a meritocracia mas sim a típica “chico-espertice” dos que pouco estudam e dos que ainda contribuem para o aumento da violência ou deliquência nas escolas.

A ideia de “menos Estado” não se pode repercutir por sectores como a educação, ainda por cima incrementando o facilitismo por oposição ao elitismo do sistema de ensino vigente até 1974, esse que se pautava pela exigência e ainda sob o qual foi educada a maior parte da população portuguesa.

Como diria um certo Professor “Antigamente estudávamos para ser sábios. Hoje em dia vocês estudam para ser técnicos”.

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A dois é melhor…

Pese o óbvio teor tendencioso do título deste post, pretendo assinalar a aceitação do convite que fiz ao meu grande amigo Nero para colaborar neste recém-criado blog.

Certamente, a pouca qualidade do blog demonstrada até agora pela minha acção a solo, só poderá e tenderá a melhorar com a contribuição de tão esclarecida persona.

Bem-vindo caríssimo!

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